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  • Da Redação

Quarentena do século XXI Coronavírus-COVID-19



Por Malu Melo


Estamos vivendo algo nunca vivido antes, NÃO pelo menos para essa geração, geração do imediatismo, da falta de paciência para esperar seja por qualquer coisa, até mesmo por segundos até o computador ligar ou reiniciar, e quando temos que esperar por algo, despertamos dentro de nós, uma fúria interna, e na medida que provamos isso ao longo da nossa vida, em muitos casos pode se desenvolver a síndrome do pânico, de ansiedade e, isso pode levar até a outros transtornos mais preocupantes como a depressão, pois essa geração, eles não estão acostumados a sofrer frustrações ou, potencializam demais certas emoções, e o pior, sempre mais as negativas.

Fazendo uma análise histórica, uma rápida pesquisa no Google, pudemos perceber que essa não é a primeira vez que a população passa por uma quarentena, essa já existe desde o século XIV, porém nessa época não se tinha muitos dados de saneamento básico, de quanto tempo o vírus levava da incubação ou mesmo dados científicos. Pois bem, essa não é a questão que quero abordar aqui, a questão a ser tratada é na verdade: O que fazer? E a escola? O desenvolvimento das crianças? O que fazer nessa quarentena em relação aos estudos? Como ensinar? O que ensinar?

Muitos pais estão desesperados pois não sabem como lidar diante dessa quarentena em casa com as crianças. Muitos já perderam a paciência, pois as crianças renovam a energia instantaneamente, enquanto a dos adultos, só se renova em um prazo muito maior, eles são ligados nos 220 volts, e especialmente nesse confinamento, as crianças não param, sentem fome a todo momento e não querem realizar nenhuma atividade que seja relacionada com a escola. Mas como explicar para eles que estão em casa, e que não estão de férias, pois as escolas também tiveram que parar com as atividades por prevenção ao COVID-19 e precisam sim, realizar atividades que muitas escolas, sejam elas particulares ou públicas, estão enviando. As escolas não pararam porque quiseram e, sim devido a uma necessidade, pois todos nós sabemos que as salas de aulas são em sua maioria cheias.

Este é um momento bem complexo para os pais, ao mesmo tempo que estão exercendo o papel de pais em tempo integral, o que não é muito comum nos tempos atuais, e muitos sem auxílio, pois todos estão de quarentena, por consequência acumulou uma outra tarefa, a de ser “professores” de seus filhos, ahhh essa daí não deve estar sendo fácil, para ninguém, venhamos e convenhamos. Pois para tal tarefa, se exige qualificações específicas, muitos acredito, que estão dando um jeitinho e conseguindo, já outros...

A escola não é feita só de paredes, de espaço físico, ela é feita principalmente de pessoas, e pessoas qualificadas para o ensino, para a transformação e não somente pela transmissão de conhecimento, pois cada ser humano tem uma maneira peculiar para aprender e ensinar, cada pessoa carrega consigo uma bagagem de vida, de experiências e principalmente de essência, de caráter, de maneiras de ver a vida, de ler o mundo, e isso é o que nos torna únicos e diferentes no meio da multidão.

A escola traz uma vontade de desbravar o desconhecido, é um lugar mágico que esconde e ao mesmo tempo revela histórias, contos, números, amizades, vínculos, interações e que desperta a vontade de sempre buscar mais conhecimento, para alimentar a alma, preencher as lacunas das interrogações.

Essa quarentena que já dura mais de 40 dias e, ao certo não sabemos quanto tempo ainda vai durar, pois estamos lidando com algo nunca visto antes, são vários profissionais, cientistas e estudiosos tentando desvendar a cura, descobrir uma vacina, são vários os experimentos, mas até agora, a única certeza, foi que milhares de pessoas foram vencidas pelo tal CORANAVÍRUS, um ser minúsculo, invisível ao olho nu, mas com uma potência assustadora, capaz de parar o mundo, seja ele de primeiro, segundo ou terceiro mundo, dentro das divisões da economia e desenvolvimento.

O que de fato deve ser feito nesse momento, é exercitar a EMPATIA, se colocar no lugar do outro, regrinha de ouro, diga-se de passagem. É a escola que garante o direito da aprendizagem da criança, principalmente para as crianças menores, ela precisa do convívio com o outro, da interação e da troca. Muitos pais estão se esforçando para ajudar os filhos nesse momento com as aulas online, aulas remotas, devemos enxergar que os pais nesse momento não estão tomando o papel dos professores, professor nenhum é substituível, nem por nenhuma ferramenta usada, e não é uma inversão de papéis, as famílias não estão na inversão de valores, mas se deve encarar como uma parceria, a família deve trabalhar e oportunizar a rotina, com horários para as alimentações, de dormir, acordar, nos afazeres domésticos, a família e a educação são coparticipantes, coautores, é uma corresponsabilidade, na constituição a educação é direito de todos e dever do estado e da família, essa é uma responsabilidade dos dois.

Não é o momento de atacar ninguém, tentar achar um culpado para a atual crise que estamos vivendo, ela existe e pronto, o que devemos fazer é cada um assumir sua responsabilidade, mesmo com dificuldades, e se ficar difícil, que possamos pedir ajuda, seja ela pelos aplicativos que usamos, o que vale nesse momento é a calma, se hoje as tarefas escolares estão difíceis, para, respira, peça ajuda para alguém, faça outra atividade para aliviar o estresse e seguimos conforme dá, o que não dá é desesperar, desistir, pensar de maneira positiva, se hoje foi difícil, amanhã será mais leve.

Reúna a família, converse, cante, conte piadas, se alimentem juntos, faça algo por você, leia um livro, escute um audiolivro, cozinhe, compre comida, pinte, costura, mas faça diferente, faça valer a pena. Essa quarentena veio para nos colocar no lugar e não o contrário, se permita a se conhecer, a conhecer o outro, doe amor, receba amor, seja compreensível, mas não ultrapasse a linha da bondade, pois todos nós seres humanos precisamos de limites, observe os pássaros voando e cantando pela sua janela, ou feche os olhos e se imagine criança novamente, sinta as fragrâncias da sua infância, use sua imaginação de criança. A vida é muito curta para reunirmos apenas memórias tristes, essa pandemia veio para nos ensinar algo, quem sabe a sermos seres humanos de novo, então vamos nos renovar de esperança, de amor, de boas atitudes, de empatia, de tolerância, com as palavras mágicas que tanto ensinamos para as crianças, de paz, de solidariedade, de resiliência e vamos transformar essa quarentena em um aprendizado para a vida, nossas histórias, eu escolho viver bem.



Maria Lucia Malu Santos de Melo

Graduada em pedagogia 2006, pela Faculdade de Educação e Ciências Gerenciais de Indaiatuba UNOPEC, especialização em Psicopedagogia Clínica no CEUNSP em 2008, especialização em Educação Especial Inclusiva em UNIFAC BOTUCATU em 2010. Faz parte do grupo EQUIPHE desde 2012. Quase 20 anos de experiência na área da alfabetização, desde a creche até o ensino fundamental I, há 10 anos atuando na educação especial. Atendimentos com crianças e adolescentes que tem dificuldades de aprendizagem e transtornos relacionados com a alfabetização.


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